| CONSIDERAÇÕES SOBRE
AVALIAÇÃO
I -
Avaliação É comum que seja considerado um 'bom professor'
aquele que possui profundo conhecimento sobre aquilo que se propõe a
ensinar, utilizando métodos e técnicas que visem a melhor
compreender as características específicas de seus alunos e dele
mesmo, bem como a potencializar a interação entre os dois. O
resultado do seu trabalho permanece, no entanto, de algum modo
abstrato a menos que possa ser empiricamente testado no mundo real.
Em outras palavras, uma determinada teoria sobre aquisição de língua
estrangeira pode ser colocada em prática todos os dias na sala de
aula, mas o professor não vai saber se sua teoria é realmente válida
a não ser que ele avalie sistematicamente o sucesso de seus alunos
e, consequentemente, sua teoria na prática. A possibilidade de
aferição do resultado do processo de ensino/aprendizagem pode ser
bastante positivo, uma vez que estabelece parâmetros mais claros e
menos subjetivos. Um teste pode ser definido como uma atividade cujo
principal propósito é explicitar (geralmente ao administrador do
teste) o quanto o sujeito testado sabe ou consegue fazer. Ocorre,
porém, que a influência da inserção de testes de avaliação vai muito
além da simples análise de resultados por parte do professor, uma
vez que se torna necessário levar em consideração o efeito
retroativo (backwash ou washback effect) do teste sobre o processo
de ensino/aprendizagem. O conceito de efeito retroativo consiste
basicamente no efeito de testes de avaliação no processo de
ensino/aprendizagem. Tal efeito pode ser benéfico ou maléfico, mas é
geralmente aceito que exames influenciam as atitudes, o
comportamento e a motivação de professores, alunos, e mesmo os pais
desses, além de ser prática comum aos alunos estudarem com mais
afinco quando sabem que estão próximos de exames do que quando não
estão.
II - ELABORAÇÃO DE TESTES DE AVALIAÇÃO A
fim de se aproximar das possibilidades reais de uso da língua-alvo,
um teste deve motivar e interessar o aprendiz de modo a criar um
estado de interação deste com o teste a que se submete. O aprendiz
não deveria considerar o teste como um mal necessário, mas sim uma
importante ferramenta para desenvolver sua competência, autonomia e
auto-avaliação. Para que o teste cumpra tais funções a contento, o
mesmo deve, antes de mais nada, apresentar três características
principais: validade, confiabilidade e praticidade.
Validade Por validade podemos entender que o teste
deve testar aquilo que o elaborador quer que ele teste. Se o
professor quer testar a fluência oral de certo aluno, um teste
escrito de múltipla escolha não será o de maior validade. Já um
teste em que o aluno tenha que desempenhar uma função comunicativa
de uma forma contextualizada exibirá satisfação desse critério. Um
meio eficiente de testar a validade de um teste é aplicá-lo em
colegas professores, os quais podem fornecer opiniões a respeito do
que eles acham que o teste pretende testar, aumentando
consideravelmente, assim, as chances de estarmos diante de um teste
válido.
Confiabilidade A confiabilidade de um teste
pressupõe que, se testes similares forem aplicados após determinados
intervalos de tempo (evidentemente não muito longos), os resultados
devem ser similares, pois o que se busca é a igualdade de condições.
Uma analogia pode ser feita entre dois testes de direção feitos em
dois dias subseqüentes: no dia 1 o teste ocorre em uma região
tranqüila e sem tráfego; no dia 2 o teste é feito em local de alta
densidade de automóveis. Um mesmo aprendiz teria resultados muito
diferentes caso fosse submetido ao teste no dia 1 ou no dia 2. Os
resultados desses testes não podem ser considerados confiáveis, uma
vez que não acorreram nas mesmas condições. Mesmo dois testes com
alto grau de confiabilidade estão sujeitos a interferências
relacionadas a elementos pessoais ou conjunturais.
Praticidade A praticidade se refere à quantidade de
dados que o teste fornece aos candidatos em relação ao tempo gasto
na sua elaboração, administração, correção e processamento de
resultados. Um teste extremamente caro para ser aplicado não é
prático. Um teste que leva oito horas para ser completado não é
prático, assim como não o é um teste que seja extremamente complexo
para ser corrigido e interpretado. Um teste deve ter também valor
instrucional, ou seja, o teste deve possibilitar ao professor uma
melhor compreensão de seu aluno, uma vez que avaliar e ensinar estão
intrinsecamente relacionados. Um teste complexo demais ou
sofisticado demais pode não ser prático para o professor quando da
interpretação dos resultados.
III - AGENTE
FACILITADOR Ao cumprir requisitos de praticidade,
confiabilidade e validade, um instrumento de avaliação poderá então
apresentar melhores, mais viáveis e mais precisos julgamentos a
respeito dos aprendizes, sendo inclusive um agente facilitador do
processo de ensino. A finalidade última do desenvolvimento e
utilização de um sistema de avaliação consiste na determinação da
existência ou não de progressos reais no nível de proficiência de um
aprendiz de uma língua estrangeira. Sistemas tradicionais de
avaliação nada mais são do que instrumentos de verificação do grau
de conhecimento teórico sobre a língua de um determinado aprendiz:
em poucos momentos se coloca à prova a habilidade do mesmo em usar a
língua para desempenhar situações autênticas, mesmo que de uso
cotidiano. A insistência na utilização de testes baseados na forma
parece refletir a postura de muitos cursos e escolas, que é a de
evitar o questionamento de seus próprios métodos e procedimentos
didáticos que o efeito retroativo de um teste comunicativo poderia
trazer.
IV -
AVALIAÇÃO POR COMPUTADOR HOJE Mudanças na tecnologia e no
panorama social e educacional estão criando novas expectativas e
demandas por novas formas de avaliação. Em todo o mundo pesquisas
têm sido conduzidas em diversas áreas, desde a ciência cognitiva até
a ciência da computação a fim de auxiliar na transformação nos
sistemas de avaliação que o novo século requer. Enquanto testes de
múltipla-escolha continuam a fornecer avaliações de custo reduzido,
novas abordagens visam expandir o alcance e profundidade da
avaliação. Os sistemas atuais de avaliação, sejam em pequena ou
larga escala, são praticamente os mesmos de 20 anos atrás, uma vez
que servem basicamente interesses institucionais, são administrados
em grupos em um único local e em datas pré-estabelecidas, utilizam
pouca tecnologia moderna, e são baseadas em um modelo psicológico
provavelmente mais próximo do behaviorismo da primeira metade deste
século do que na ciência cognitiva da segunda metade. Existem
boas razões para acreditar que tal situação está mudando. O fator
mais importante talvez seja justamente a emergência da nova economia
global, a qual criou um clima geral de competição intensa. Assim
sendo, instituições de ensino, empresas, e indivíduos começam a
criar expectativas no tocante ao ensino e avaliação (em qualquer
área) muito semelhantes às expectativas presentes no comércio em
geral: inovação, produtividade (incluindo-se nesse conceito a
relação custo/benefício), e serviço diferenciado (personalizado),
além da capacidade de adaptação à diversidade de perfis. Os
primeiros resultados referentes à necessidade de inovação, serviço
ao cliente e produtividade já podem ser observados na primeira
geração de testes por computador. Esta primeira geração pode
selecionar questões baseadas nas respostas anteriores, adaptando o
teste de acordo com as habilidades e nível de cada indivíduo.
Dependendo do teste a que a pessoa se submete, ele pode confirmar
presença por telefone, fax ou e-mail, pagar com cartão de crédito,
ser testado com hora marcada em centros relativamente pequenos e
confortáveis, e receber os resultados ao final do teste. Como
qualquer outra inovação em seus estágios iniciais, os testes por
computados de hoje informatizaram um processo existente sem
modificar sua essência. Assim sendo, estes testes são praticamente
os mesmos anteriormente aplicados em formato de papel: eles medem as
mesmas habilidades, utiliza uma mesma estrutura comportamental, e
depende basicamente dos mesmos tipos de tarefas. Além disso, mais
uma vez da mesma forma que em outras inovações em suas fases
iniciais, a implementação dessa primeira geração de testes por
computados aumentou os custos dos mesmos, uma vez que, pelo menos
para testes de alta freqüência, novos itens têm que ser
continuamente criados. A fim de se firmarem, avaliações por
computador terão que oferecer muito mais do que oferecem agora. O
legado mais importante desta primeira geração pode ser a criação da
infraestrutura básica para uma nova geração de testes que usam
tecnologia de forma mais direcionada, em resposta a crescentes
demandas relacionadas à expansão do uso de computador para fins
educacionais.
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